domingo, 29 de junho de 2014

É PRECISO ACREDITAR...

      O processo de inclusão dos alunos com deficiência, Transtornos Globais do Desenvolvimento e Superdotação tem avançado nos últimos anos, através da ampliação da Legislação e pelos investimentos do governo através da realização de muitas ações implementadas nas instituições de ensino.
         Uma dessas aquisições foi a implantação das Sala de Recursos Multifuncionais nas escolas públicas, Esse é o espaço de realização dos Atendimentos Educacionais Especializados, um serviço da Educação Especial desenvolvido na escola que organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem barreiras para a plena participação dos alunos, na escola e fora dela, considerando as suas necessidades específicas.
         Com o AEE nas escolas, percebemos a chegada do público alvo desse serviço, os alunos com deficiência, Transtornos Globais do Desenvolvimento e Altas Habilidades/Superdotação. A presença desses alunos na escola muda a forma como a comunidade escolar enxerga a inclusão e traz benefícios para todos que fazem parte do contexto educacional.
        Nesse pensamento, a inclusão remete ao sentido da particularidade em que todos, exatamente todos podem viver a experiência de se igualar com o outro através das diferenças, portanto o AEE é mais do que um serviço, ele autentica e evidencia a inclusão no espaço escolar, o AEE parece um movimento que nunca para, ele apoia, confirma e valida as práticas de valor inclusivo exercidas na escola, além de certificar a inclusão e a ética como dois elementos inseparáveis de constituição do fazer pedagógico.

O que fazer com aqueles alunos cujas diferenças 

chocam por estas ser mais diferente do que outras?


        É comum ver as escolas falarem em práticas inclusivas, mas,
 alguns educadores pensam que o aluno com deficiência que chegou em sua sala de aula não é o seu aluno. Ele espera que o seu aluno ainda estar por vir, porque talvez ele espere que todo aluno ao 3º ano saiba dos conteúdos curriculares; ler, escrever, interpretar, saber matemática, expressar-se de forma clara, letra bonita, cadernos e livros impecáveis, sim, ele tem que está com perfume agradável.
        Reconheçamos que este aluno não vai chegar em todas as escolas e nas inúmeras salas de aula do nosso país, porque este aluno não existe. É natural que desejamos que ao final do ano letivo o aluno alcance as competências necessárias ao ano em que estuda, nessa perspectiva, olhar para todos os alunos e vê suas especificidades, potencializa e antecipa o olhar para uma prática pedagógica que valoriza as diferenças de cada um. 

Assim, podemos fazer...



Além de ser professora do AEE, sou mãe de um menino muito diferente de 8 anos,  também aluno de uma professora e de uma determinada escola. Ele é diferente demais, às vezes, ele pensa e fala: “mãe porque que eu sou tão diferente dos meus colegas”. A mesma frase repito: “Todos nós somos diferentes”.

Ele não sabe como parar, mesmo quando tenta, não consegue. Os colegas não suportam aquele jeito de quebrar sempre as regras do jogo, de querer mudar de brincadeira logo após que inicia uma. Às vezes, ele percebe e diz: “mãe porque ninguém quer brincar comigo? ” Isso dói demais... Falo sempre que as parcerias e as amizades são aquisições que cada um de nós conquistamos nos outros,  e é um aprendizado que vamos adquirindo a medida que se moldam as relações com os pares.

A Hiperatividade e o déficit de atenção - THDA não é uma deficiência, mas interfere muito na vida escolar e social de uma criança. Essa diferença que não se vê fisicamente, mas, faz muita diferença quando as pessoas pensam que é falta de limites e quando a escola vê como se fosse desinteresse pela aprendizagem e falta de atenção na sala de aula. Essas posturas, trazem prejuízos escolares inevitáveis e irreparáveis, pois o problema da atenção gera uma dificuldade para aprender e um problema de aprendizagem.

Cada um tem um jeito de ser é preciso conhecer para poder dizer que cada um tem também potencialidades não vistas a qualquer tempo, não marcadas pelo corpo, nem pela forma de ser e de pensar.

É preciso encorajar os meninos e meninas a encontrar um jeito muito especial - que são -  de ser e de viver enfrentando as dificuldades no percurso de sua escolaridade, trazendo sempre o respeito ao outro, a ética, ensinando-os a respeitar para ser respeitado, ensinando-os que a diferença é uma característica inerente a todo ser humano e parte da essência de cada um.
  

 Esse poema de Mário Quintana diz exatamente o que  queremos dizer sobre as diferenças...

Deficiências por Mário Quintana 

"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.

"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui.

"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.

"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.

"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.

"Paralítico" é quem não consegue andar na direcção daqueles que precisam de sua ajuda.

"Diabético" é quem não consegue ser doce.

"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer.

E, finalmente, a pior das deficiências é ser:

"Miserável" pois: "A amizade é um amor que nunca morre."

Por (http://aeevivendoasdiferencas.blogspot.com.br/)



   Ser professor do AEE é ver as diferenças e potencialidades dos alunos quando todo mundo vê o fracasso, é ver que eles aprendem quando muitos dizem: “não aprendeu, não sabe, não consegue...”

Ser Professor do AEE é acreditar todos os dias que:  “ser diferente é normal...” Que se igualamos em nossas diferenças e é isso faz a diferença.











domingo, 8 de junho de 2014

PRANCHAS TEMÁTICAS

Pranchas temáticas para interpretação de livros e conteúdos
Pranchas de comunicação temáticas poderão ser construídas para que o aluno usuário da CA possa participar de atividades de interpretação de histórias ou também para que possa perguntar, responder e argumentar sobre os conteúdos estudados e atividades desenvolvidas em sala de aula.
Descrição de imagem:
Um livro de história, que fala sobre temas de ecologia, está acompanhado de uma prancha temática, com a qual o usuário da CA poderá apontar ações positivas e negativas relativa à preservação do meio ambiente.





Fonte: http://www.assistiva.com.br/ca.html

SUGESTÃO DE OUTROS TEMAS PARA AS PRANCHAS DE COMUNICAÇÃO

As pranchas temáticas devem ser pensadas para a aprendizagem do aluno e não descartam as intervenções do professor. Essa ideia poderá ser utilizada com diversos temas:

FOTOS DE FAMILIARES QUE O ALUNO ESTEJA PRESENTE, DE VÁRIOS MOMENTOS, COMEMORAÇÕES E OUTRAS FOTOS QUE A FAMÍLIA DISPOR SÃO SIGNIFICATIVAS PORQUE A NARRATIVA FALA DE UM ASSUNTO QUE ESTÁ MUITO PRÓXIMO DO ALUNO: A SUA FAMÍLIA.

·         Fotos com diversos eventos da família é uma temática muito interessante para criar um texto oral e/ou escrito da história da família;
·         Essas pranchas são muito significativas, pois pode trabalhar os conteúdos: verbos: presente, passado e futuro, linha de tempo, sequência dos fatos e acontecimentos, entre outros temas;




CONTINUANDO...
Calendários personalizados
Nas "pranchas modelo" do Boardmaker você encontrará grades de calendários para serem personalizadas. Basta localizar os símbolos apropriados e colar sobre a o dia em que o evento acontecerá.
Descrição de imagem:
Uma folha de calendário foi personalizada com os símbolos PCS.
Visualiza-se símbolos representativos do verão "guarda sol" e "sorvete", símbolo da "festa de Ano Novo", "viagem", "praia", "chegada da vovó", "aniversário" e "retorno a casa". Os símbolos foram aplicados sobre as datas destes eventos.








                            Fonte: http://www.assistiva.com.br/ca.html. (com adaptações)

Para complementar as pranchas TEMÁTICAS com fotos de eventos da família a proposta de pranchas com um calendário para registro dos fatos e acontecimento acorridos na família dá continuidade a sequência numa ordem temporal e espacial.


segunda-feira, 5 de maio de 2014

SURDOCEGUEIRA E DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA



SEMELHANÇAS



ü   O CORPO É A REALIDADE MAIS IMEDIATA;

ü  COMUNICAÇÃO COM DIFERENTES NÍVEIS DE SIMBOLIZAÇÃO E FORMAS DE COMUNICAÇÃO DIVERSAS;

ü  FAVORECER O DESENVOLVIMENTO DO ESQUEMA CORPORAL É MUITO IMPORTANTE.


DIFERENÇAS




Ø          A SURDOCEGUEIRA É UMA DEFICIÊNCIA ÚNICA E REQUER UMA ABORDAGEM ESPECÍFICA;

Ø   A DEFICIÊNCIA   MÚLTIPLA   É AQUELA QUE TEM MAIS DE UMA DEFICIÊNCIA ASSOCIADA;

Ø   AS CARACTERÍSTICAS ESPECÍFICAS APRESENTADAS PELAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA LANÇAM DESAFIOS À ESCOLA E AOS PROFISSIONAIS QUE NELA ATUA;

Ø   A SURDOCEGUEIRA É UMA CONDIÇÃO QUE APRESENTA OUTRAS DIFICULDADES ALÉM DAS CAUSADAS PELA CEGUEIRA E PELA SURDEZ.



NECESSIDADES BÁSICAS DOS 

ALUNOS



  • RESPEITO AS INDIVIDUALIDADES;

  •       A COMUNICAÇÃO DEVE SER ESTABELECIDA NO AMBIENTE FAMILIAR E ESCOLAR, VISANDO ESTABELECER AUTONOMIA E INDEPENDÊNCIA.
   ·         DURANTE O PROCESSO DE INTERAÇÃO O PROFESSOR COMO INTERLOCUTOR TEM           PAPEL FUNDAMENTAL NO ESTABELECIMENTO DA COMUNICAÇÃO;



ESTRATÉGIAS A SEREM 

UTILIZADAS



UTILIZAÇÃO DE SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO ADEQUADOS PARA O AVANÇO DO DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM NO MENOR TEMPO POSSÍVEL.




AMBIENTE ESCOLAR ORGANIZADO E ADEQUADO: ORGANIZAÇÃO ESPACIAL E ESTRUTURAL.



UTILIZAÇÃO DE RECURSOS PEDAGÓGICOS COMO OBJETOS DE REFERÊNCIA.



DISPONIBILIZAÇÃO DE RECURSOS PARA FAVORECER A AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM ESTRUTURADA NO REGISTRO SIMBÓLICO: VERBAL, GESTUAL E EM OUTRAS FORMAS.




quarta-feira, 19 de março de 2014

IMPRESSÕES SOBRE A ESCOLARIDADE DAS PESSOAS COM SURDEZ



Muito tem se discutido sobre o desenvolvimento da pessoa com surdez no que se refere à formação escolar e a inclusão dessas pessoas no contexto da Escola Comum. Através dos estudos e do trabalho com os alunos surdos fomos localizando equívocos na forma como eram conduzidas as estratégias pedagógicas para o ensino desses alunos.
Ao longo da história, muitos estudos foram se desenvolvendo e se firmando em torno de três concepções que dominaram esse cenário: a oralista, a comunicação total e o bilingüismo. Essas propostas de trabalho com o aluno surdo aconteciam em escolas especiais ou em classes especiais.
A concepção oralista centrava na língua das pessoas ouvintes, ou seja, a pessoa com surdez deveria aprender a usar a voz e fazer leitura labial, a oralização era a única possibilidade lingüística, o que deveria acontecer na escola e na vida social. Esse formato não favoreceu o desenvolvimento das pessoas com surdez, principalmente, porque não foi valorizado o aprendizado da língua de sinais como primeira língua. Já na proposta da comunicação total, o foco era o uso de qualquer tipo de recurso que pudesse estabelecer a comunicação: linguagem gestual, visual, textos orais, escritos. Essa é mais uma concepção questionada, os alunos continuavam excluídos da aprendizagem escolar, segregados, não valorizados e a língua de sinais como língua um, essencialmente indispensável para a comunidade surda, mais uma vez, não tinha importância.
Na concepção que defende o bilingüismo, o objetivo é valorizar a aprendizagem das duas línguas, a língua de sinais como língua um e a Língua Portuguesa como língua dois, ambas utilizadas na esfera escolar e no âmbito social, essa visão respeita e busca construir no espaço educacional um ambiente propício a aprendizagem da pessoa com surdez.
A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva assinada pelo MEC em 2002, propõe mudanças importantes no ambiente educacional, através de ações que possibilitam a participação do aluno no espaço da escola comum, promovendo o pleno desenvolvimento e o aprendizado das pessoas com surdez.

“O AEE promove o acesso dos alunos com surdez ao conhecimento escolar em duas línguas: em Libras e em Língua Portuguesa, a participação nas aulas e o desenvolvimento do seu potencial cognitivo, afetivo, social e lingüístico, com os demais colegas da escola comum”. (UFC-MEC/2010 p. 10)


Na construção desse ambiente bilíngüe da escola comum, a política nacional prevê o Atendimento Educacional Especializado em três momentos: AEE em Libras, AEE de Libras e AEE de Língua Portuguesa, nesse sentido, afirma que “O AEE em seus três momentos visa oferecer a esses alunos a oportunidade de demonstrarem se beneficiar de ambientes inclusivos de aprendizagem”. (UFC-MEC/2010 p. 10).
Na perspectiva bilíngüe os profissionais que atuam no AEE da escola comum devem ter a formação adequada para que a evolução da aprendizagem dos alunos aconteça plenamente. No AEE de Libras o professor precisa ter conhecimento da estrutura da língua, desenvolver os conceitos em Libras de forma vivencial e elaborar os recursos didáticos.
As atividades do AEE em Libras – L1 são desenvolvidas por educadores surdos e tem por objetivo o contato com a LIBRAS. A aquisição dessa língua permite o desenvolvimento lingüístico suficiente para aquisição de outras línguas.
Para o ensino da Língua Portuguesa – L2 o acompanhamento é feito preferencialmente por professor com formação em letras, cujo objetivo é desenvolver a competência lingüística e textual nas pessoas com surdez, nesse atendimento, o canal de comunicação específico é a Língua Portuguesa, leitura labial, leitura e escrita.
Diante do exposto, é um equívoco o pensamento de muitos educadores da escola comum, quando pensavam que a língua de sinais era pré-requisito para que o aluno pudesse evoluir na escrita da Língua Portuguesa, fica claro que, mais do que aprender uma língua, as pessoas com surdez precisam de “ambientes educacionais” estimuladores que desafiem o pensamento e exercitem sua capacidade cognitiva. 
Nesse sentido, as ações da escola, as situações didáticas, os conteúdos e currículos devem ser efetivados de maneira que tenham sentido para os alunos ouvintes e compartilhados com os alunos surdos.
 
Referências

Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Fascículo 05: Educação Escolar de Pessoas com Surdez – Atendimento Educacional Especializado em Construção, p. 46-57.

DAMÁZIO, M. F. M.; ALVES, C. B. Atendimento Educacional Especializado do aluno com surdez. Capítulo 2. São Paulo: Moderna, 2010.